Terra de vinho

As terras de Mértola recuperam a tradição do cultivo da vinha e mostram vinhos de raça. Os vinhos Discórdia estão entre os pioneiros.

O grande rio do sul de Portugal foi terra de vinho desde tempos longínquos. Numa prospeção recente ao longo do rio Guadiana, entre Mértola e Pomarão, o professor Antero Martins e o grupo que o acompanhou encontraram abundantes videiras velhas, desgarradas, a comum vitis vinifera. O especialista na área da genética de plantas e presidente da Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira (PORVID) ia na busca de sinais da presença das videiras silvestres, outra estirpe muito anterior à encontrada, a tal vitis vinífera. Esta última, a da estirpe da nossa vinha, é cultivada na Europa desde há 10 mil anos e que terá tido presença significativa no passado ao longo do rio Guadiana. A descoberta de grainhas de uvas em escavações arqueológicas na vila reforça esta tese. A referência está documentada e integra-se no trabalho que o arqueólogo Cláudio Torres realizou em Mértola nas últimas décadas, sendo que os vestígios de uva foram encontrados numa casa da época almóada (séculos XII-XIII).
É esta memória cultural que Paulo Alho, o primeiro entusiasta do projeto de vinhos Discórdia, quer recuperar e compreender. O branco e o tinto Discórdia estão entre os pioneiros deste rejuvenescimento vinícola por terras de Mértola.